CONVIVENDO COM O MEDO

 
Mercêdes Pordeus
 
Vivemos num mundo conturbado em termos da violência, notadamente a violência urbana, e não sabemos como mudar esta situação (como virar a mesa).
Sabemos que a violência está se assolando em passos largos, em ritmo avançado e assustador por entre os continentes.
Ouvimos o clamor da humanidade no sentido de que se estabeleça a justiça para os atos criminosos e que sejam tomadas as providências para minimizar a situação e diminuir a incerteza de ao sairmos de casa beijarmos nossas famílias sem sabermos se será aquela a última vez.
Ecos de piedade ressoam sem nenhuma resposta, para que os dirigentes olhem pelo menos um pouco pela SEGURANÇA.
O que tem sido feito em outros países e no nosso imenso Brasil, este tem vários privilégios em relação a tantos outros. O Brasil é um país que não sofre tanto com a desolação das grandes catástrofes provocadas pelos fenômenos da natureza, é mais um privilégio a sua situação geográfica, tem riquezas naturais imensuráveis. Não sofre com os efeitos das guerras que assolam milhares e milhões de nossos irmãos distantes. Ainda assim, insiste em alimentar a guerra interna, uma luta constante entre seu EU e a sociedade em que vive, quando a violência tem início nos próprios lares, desavença entre irmãos, filhos e pais, estupros dentro da célula mater da sociedade.
O que falta em nosso país para vivermos em paz e harmonia, dentro do amor?
Sabemos que não somente nós sofremos com o MEDO constante e em sobressalto de não saber como estaremos daqui a alguns minutos, horas ou dias, mas com o medo em grande escala. Poder-se-ia dizer: – Talvez por sua imensidão em relação aos outros países.
-Mas não tão somente!
Somos abordados por crianças que nos afrontam, enfrentam e nos provocam o medo, sem sabermos o que são capazes de fazer conosco, e isso elas fazem porque sabem que estão acobertadas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, mas esse é apenas um motivo.
A Igreja se opõe ao controle de natalidade. Como pode?
Talvez porque o Papa esteja longe de conviver com as situações em que o cidadão chamado de “comum” é obrigado.
Sou a favor do controle da natalidade sim e de forma efetiva, principalmente naquelas situações em que as pessoas vivem nas ruas, nas calçadas arrastando consigo até cinco ou mais crianças e carregando outra na barriga.
Quando Deus disse: Crescei e mulplicai-vos, não foi para viverem nessas condições, Ele também ordenou, através do Seu filho Jesus Cristo que tudo fosse feito com decência e ordem. Com certeza não era isso que Deus queria para seus filhos quando lhes deu livre arbítrio para viverem sobre a terra.
Não podemos fechar nossos olhos àquela realidade nua, crua e cruel.
Outro questionamento poderia ser feito: – Mas, e os ditos “filhinhos do papai” também não cometem atrocidades?
Quem não lembra, por exemplo, da morte do índio que dormia num banco em Brasília, penso que em 1997 ou 1998? Quem cometeu o crime? Será que foi punido? Até hoje não sei. Sim, é verdade eles cometem crimes sim, mas em menor escala e não pela ignorância ou fome. Não querendo aqui justificar os moradores das ruas pelo fator fome.
Mas, o que podemos esperar de crianças cujas únicas realidades que conheceram e vivenciaram desde a mais tenra idade foi a fome, o lar que habitaram foram as ruas, as calçadas, a cama em que dormiram foi um papelão velho e o cobertor, apenas jornais. O teto foi simplesmente o céu aberto, mas um céu que não lhes poupou seus raios quentes e a chuva, sem nenhum abrigo, no qual não puderam contemplar as estrelas.
Nunca tiveram a chance de freqüentar a escola e viver um ambiente sadio, brincar com os coleguinhas na hora do recreio e terem a felicidade de merendarem!
Elas sentem fome e sede, necessidades básicas do ser humano e como podem se alimentar se seus pais não foram preparados para o trabalho a fim do sustento da família e ainda assim não existiria mercado para que neles se engajassem?
Imagino como será o futuro do Brasil com a crescente população nessas condições.
Por isso mesmo sou plenamente a favor do controle da natalidade se não espontânea que fosse feito um trabalho de conscientização para esse fim.
Do modo em que o nosso país se encontra, em que se transformarão as futuras famílias, se é que assim ainda podemos denominar seus membros!
No mundo em que vivemos, e que vamos deixar para nossos filhos é esse legado que lhes oferecerá: MEDO constante como já hoje experimentamos, sensação amarga.
Façamos o que fizermos para preparar nossos filhos para a vida, a situação não mudará enquanto providências sérias não forem tomadas com pulso firme e comprometimento com a sociedade para que a violência não se alastre cada dia mais.
É inconcebível continuarmos vivendo dessa forma, sairmos dos nossos lares sem saber se retornaremos, nos despedimos dos nossos filhos na incerteza de revê-los.
A segurança pública desprovida de meios para repressão da criminalidade, nada podem fazer, pois os marginais, estão na maioria das vezes, melhores aparelhados que a própria polícia, armados até os dentes como se diz por aí.
O tráfico das drogas está ceifando vidas, desmoronando as famílias, as balas perdidas estão pondo fim a vidas inocentes, policiais morrem diariamente, quando na tentativa de combater os criminosos.
Onde estão os recursos, as receitas geradas em prol da segurança pública?
Urge que as autoridades tomem medidas efetivas para a repressão da criminalidade e juntamente com a sociedade estabeleça metas, montem projetos de prevenção ao crime, aparelhem as policias.
É também urgente que as autoridades competentes estabeleçam medidas com relação ao controle da natalidade, invistam na educação e saúde, do contrário não sei onde vai parar nosso Brasil, o país da ORDEM E PROGRESSO, da esperança e da paz, ou será que a legenda seja simplesmente uma frase a mais e que esteja escrita em nossa Bandeira por mero acaso? Que as cores da Bandeira Brasileira tenham sido escolhidas aleatoriamente?
Será mesmo este o país que vai pra frente?
Um país cuja maioria dos habitantes esquecem tudo, tentam afogar seus problemas na bebida, como ouvimos dizer tantas vezes: – Bebo para esquecer que meus filhos estão em casa com fome. Outros entram nos ônibus pedindo uma esmola, dizendo ser melhor está ali pedindo do que estar lá fora assaltando, como se tivesse fazendo um favor a sociedade em não assaltar! Até, que é sim, assim podemos considerar levando em conta a situação em que nos encontramos hoje, até damos Graças a Deus por isso…a que ponto chegamos!
Infelizmente, na maioria, somos um povo que esquece tudo se nos oferecem uma copa do mundo, um carnaval, uma bebida e até mesmo um PAN. Basta evento dessas naturezas para nos tirarem a lucidez e enveredarem por um mundo de sonhos e alienação.
O povo busca apenas esquecer a realidade em que vive e tudo isso funciona como uma fuga para não perceberem o que se passa ao seu redor e não sofrer, sim, porque nossa realidade dói muito. Falo do nosso país, apesar de saber que o MEDO se instala, aloja-se diariamente em tantos outros, já é um mal generalizado pelo mundo a fora, com o qual temos que viver e conviver e não sei se ainda temos a chance de retrocesso nessa situação caótica, contudo, se quisermos poderemos minimizar, creio que ainda há tempo, para diminuir o nosso consumismo do MEDO.
 
Em 28/04/2007
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